

O UFC 140 foi pura carnificina. Quem assistiu e gostou do que aconteceu tem sérios problemas relacionados à humanidade, e são provavelmente a favor da pena de morte, aborto, etc.
Entretanto, se você teve medo ou ficou indignado com tanta violência, bem vindo ao clube!
Nada contra o esporte, quando é esporte. Comecei assistir o Canal Combate há um ano. Sempre acompanho os eventos e o desempenho dos lutadores, principalmente os brasileiros. É muito dificil ficar indiferente quando algum perde, mas sempre reconheço a superioridade dos adversários.
Mas o que ocorreu no último sábado não teve nada haver com superioridade ou preparação física. Entendo que foi pura maldade, em dose dupla.
É do conhecimento de todos que acompanham o esporte que Frank Mir e Jonh Jones não são tão esportivos quanto são "diabólicos". Mas chegaram ao limite no sábado.
Mir quebrou, literalmente, o braço direito de Minotauro e Lyoto Machida desmaiou, literalmente, enquanto estava sendo estrangulado por Jones. Nesse esporte não há espaço para metáforas.
Os partidários da conduta "matar ou morrer" dizem sempre que a culpa é do adversário "que deveria ter se rendido". Concordo, mas não justifica tamanha brutalidade numa finalização.
Muito bom se vangloriar por ter quebrado o braço de alguém ou ter "apagado" alguém, mas diante da audiência principal, jovens entre 15 à 30 anos de idade, não é um bom exemplo de conduta esportiva.
Na verdade, é um ótimo exemplo de conduta antiesportiva, que anseia por violência, sangue e morte, diferente do que o esporte prega: união, disciplina e paz.
O MMA é um esporte violento por natureza, sem dúvida. Assim como o boxe, karatê, jiu jitsu, até mesmo o rugby, o futebol americano, etc.
Mas há uma grande diferença entre esporte violento e violência no esporte.
Exemplo, socar o boxeador adversário com a luva, permitido! Ele está com a luva, pode socar também. Arrancar a orelha com os dentes, proibido!
Foi exatamente o que aconteceu no sabado: Imobilizar o adversário, permitido! Quebrar o braço do adversário ou estragula-lo, desnecessariamente, pois em ambos os casos ele já estava imobilizado, PROIBIDO!
Acho que alguns limites devem ser impostos nesse aspecto, até porque as regras do MMA não são imutáveis, sofrendo restrições ao longo dos anos. Antes o que era chamado de VALE-TUDO, não é mais conhecido assim, pois não vale tudo, vale "quase" tudo.
Quanto ao arbitros, pecam pela falta de atenção. Atendem aos gritos do público e esquecem de quem realmente precisa ser ouvido ou observado.
Tanto Lyoto quanto Minotauro deram sinais que não podiam mais competir, mas foi preciso chegaram as vias de fato para o árbitro paralizar a luta, como se o vencedor só fosse constatado quando o adversário estivesse prester a morrer ou perder um membro. Pura barbaridade! Lembrei do Gladiador.
Enfim, as artes marciais devem ser tratadas como esporte quando são transmitidas para milhares de espectadores. Se tratadas como esportes, devem pregar os mesmos preceitos que qualquer outro esporte. Ultrapassar essa linha, significa penalidade máxima, para dar o exemplo de que excessos de maldade não devem ser tolerados, muito menos ovacionados.
Tal conduta pode ter um efeito desastroso na formação de uma sociedade pacífica e humanitária.