É tarde, difícil dormir hoje.
Muitas imagens passam pela cabeça em fração de segundos. Os sentimentos se misturam. Orgulho, medo, raiva, satisfação. A televisão mostra tudo que sabemos e que nem sempre queremos ouvir. Mais de 200 canais, ao menos três opções. Entretenimento, vulgo “Show Bussines”. Fantasias que divulgam uma realidade deturpada sobre amor, ódio, vida e morte. Nada disso é real, tampouco ilusório. Às vezes não da para distinguir. Nessas horas, mas sábio é apertar o botão de desligar. Filmes, séries de tv, música, youtube. O que isso representa? Pra mim, mais de 05 horas do meu sedentário dia. O que eu ganho? Deixe-me pensar: idealizar pessoas e situações que não existem, assuntos de família quando não há o que falar, dores no pescoço pelo desconforto de ficar sentado, vontade de comer. Ou seja, nada de efetivamente bom. Filmes, uma paixão em particular. Difícil abrir mão disso.
Segunda opção, noticiário. Violência, morte, ódio. Ao menos nove de dez reportagens de um telejornal fala sobre violência social, pai contra filho, filho contra pai, marido contra esposa, tão clichê. Hoje em dia é mais fácil acreditar que um parente foi responsável pelo homicídio do ente mais querido do que um estranho. Se alguma esposa morre em casa, a polícia suspeita inicialmente do marido. Possuindo um belo álibi, ele fica fora da lista, porém sempre sob suspeita. Não os culpo, os melhores filmes de suspense tem esse final. É atrativo, uma ótima manchete. Se quer vender jornais, ponha sempre a culpa no marido. Assassinatos banais, como “bandido viciado invade casa comete latrocínio” não chamam tanta atenção quanto “marido enciumado mata esposa”. As pessoas ficam chocadas com tanta maldade e gostam de ler e ter aquele famoso pensamento de que “o mundo estar perdido”. Esse ano ganhou dias e dias de manchetes, como o “caso Bruno” e “caso Mércia”, tem certos casos mais antigos, de violência de pais contra filhos, que esse não ouso nem comentar os nomes, vocês sabem muito bem. A mídia passa uma imagem de repulsa dessas situações, mas adora divulga-las, saboreá-las, mastiga-las para o público. Fazer refeição assistindo ao jornal é para quem tem estômago forte, mantenha sempre o olho no botão do mudo para evitar uma indigestão.
Fora todo esse assunto macabro, existem aqueles menos indigestos, mas um tanto desconfortável. Corrupção, drogas, fome, doenças, mentiras. Tudo isso faz parte do grande banquete da ceia de natal, sirva-se. Escolha o melhor tema, debate com quem quiser, vai ouvir diversas opiniões, com um mesmo pensamento, “uma pena, queria que o mundo fosse melhor, mas infelizmente não é”. Normalmente nos sentimos impotentes diante de tantos problemas. Pensamos que não há nada que possamos fazer. Se há uma lista de enfermos precisando de transplante, “não posso fazer nada, preciso dos meus órgãos tanto quanto eles”. Se a poderosa elite que deveria zelar pela sociedade é corrupta, “não há nada para evitar, eu voto certo, mas brasileiro tem memória curta, não sabe votar”. Há fome no mundo, “dou esmola e ajudo no trabalho voluntário, mas não tenho tempo nem recursos para matar a fome de todo o mundo, e nem é problema só meu”.
No entanto, de todos esses temas, um chama minha atenção de maneira negativa e positiva, paradoxo explicável. Drogas, ou melhor, DROGAS. Aspecto negativo: gigantesco problema mundial. O mundo está paralisado diante desse dilema. Um vício que patrocina as piores desgraças do mundo atual. Violência, corrupção, assassinatos, armas, ódio, poder, doenças. O viciado usa droga para se sentir vivo, mas só o que ele aproxima é a morte. Se fosse apenas dele, cada um cava sua própria cova. Mas não, a morte e destruição do mundo inteiro. As pessoas dizem não para comida ruim, namoros ruins, trabalhos ruins, mas não conseguem dizer não para um cigarro de maconha ou carreira de pó. A única vantagem que existe no consumo de drogas é que você abastece o bolso de traficantes que não se importam em ver o seu pescoço rolando na sarjeta. Na verdade, eles podem até gostar de você, pois querem te ver “viajando” na satisfação entorpecente de fuga da realidade que você tanto vai apreciar até se tornar viciado e começar a sustentar não só o vício, mas a eles. Na verdade, acho que eles te amam. Por isso que a primeira “prova” é sempre de graça, por amor a você, ao seu nariz, pulmão e antigos neurônios. Nesses últimos dias, notícias foram divulgadas de invasão aos morros do Rio. Muita gente sentiu satisfação nas invasões, muita gente amou o filme Tropa de Elite e sua seqüência. Esquecem que quem patrocina toda essa violência que resulta na morte de sentenças de milhares de pessoas é o idiota infeliz que não consegue dormir sem antes fumar ou cheirar. Ou então aquele otário que adora curtir uma balada com um “chaveco” ou “fumo”. Coisa de gente insegura, pouco cérebro e impotente. O aspecto positivo disso tudo é que esse problema pode ser resolvido dentro de casa, dentro de si. Dizer não é essencial. Se já aceitou e quer parar, há tratamento. Terapia em grupo ou silenciosa. Se você pode emagrecer, pode também se desintoxicar. Basta ter força de vontade e acreditar que é isso que você quer. Se não existir consumidor, não existe mais tráfico e o que deriva dele. Quase impossível? Só cada um fazer a sua parte. Se não for por você, faça pelos seus entes queridos que você tanto ama. Ninguém merece viver num mundo cruel e desordenado que o viciado ajudou a criar.
Terceira opção na televisão. Esportes. Sem comentários. Depois da final do campeonato brasileiro, talvez.
Natalia